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A Rádio que toca diversidades

Izoporzim do Romim

20 JUL 2018
20 de Julho de 2018

Entrevista feita com o Romim, do Izoporzim do Romim. Falamos sobre cultural, movimento do Guará, a vida trabalhando na noite. Foi uma conversa super gostosa e cheia de sinceridade.

Aqui colocarei somente as perguntas e as respostas, em breve transmitiremos a entrevista gravada.

EU: Como você entrou no meio cultural?

ROMIM: A cultura veio como uma válvula de escape por assim dizer. Com o tempo dentro da minha realidade a gente vai buscando uma forma de relaxar, de desenvolver, de evoluir. A musicoterapia foi um negócio que me envolveu muito, me conquistou, me roubou da cena. Aquela coisa meio travada que eu vivia né, aí eu comecei a praticar muito o lance da música comecei a me envolver com movimentos culturais, noite é uma coisa que me atrai muito mais do que o dia para ser sincero. E isso foi me agregando valor na minha personalidade. Fui conhecendo mais os ambientes culturais de música, arte, interpretação.

EU: Você foi se encontrando?

ROMIM: É, por que é a forma que você tem de dar um grito, de ser dependendo até aplaudido por isso, se você for tirar a roupa na rua como um louco expressivo você vai ser preso cara. No palco você pode ser o que você quiser. Poder fazer isso é muito bom.

EU: a liberdade de expressão vale apena!

ROMIM: Exatamente, em várias vertentes.

EU: Te rotulando como ambulante...

ROMIM: Caixeiro, descobri essa expressão na rua porque eu mesmo não sabia nem que existia.

EU: Caixeiro então é a forma bonita de se chamar um ambulante.

ROMIM: É o dialeto popular que a galera se chama na rua.

EU: Você que está ganhando seu ganha pão com isso, como você vê o mundo independente?

ROMIM: Olha eu particularmente enxergo como uma oportunidade única. Pelo para mim, única no sentindo singular na realidade que eu vivo. Eu sempre consegui galgar de forma positiva os meus talentos, hoje eu vou tentando graduar o meu negócio com tudo aquilo que eu sei e aprendi culturalmente. Eu já tentei viver de música, o que por um tempo deu certo e por outro não. Devido as oportunidades acabei me inserindo nesse comércio, a necessidade me levou para esse lado. Tenho três filhos, faz a gente pensar em como ganhar dinheiro, o que fazer para ganhar esse dinheirinho. Fui agregando coisas que eu considero de valor, de sintonia, que me deixa mais tranquilo em relação as pessoas né, é um mundo que eu vivo, porque a gente passa muita necessidade e as vezes não tem nem tempo para pensar coisas boas. E eu transpus isso de uma forma positiva ou financeira. Então para mim é muito bom ter esse espaço para poder tocar o meu som, meu isopor, vender a minha bebidinha, ganhar o meu dinheiro de forma totalmente independente, me sinto muito livre para tomar minhas próprias decisões e isso tem um preço inestimável. Rola tudo muito mais gostoso.

EU: Você cresceu no Guará, as suas relações sociais basicamente são aqui. Como você vê a cena de cultura daqui em relação as outras cidades, mas não como trabalhador, e sim como público?

ROMIM: Eu confesso que já fui mais inserido, hoje para mim falar fica muito complicado, mas eu sinto muita falta daquela veia musical que o Guará já teve. Quem teve a oportunidade de viver os anos 90 aqui curtiu muito, era muita banda por metro quadrado. Existia um movimento chamado Lazer, antigamente aqui no Guará. Era um movimento cultural aberto e muitas bandas tocaram ali, o Guará já teve Raimundos, já teve Cassia Eller, já teve Legião. Já foi um berço musical muito legal, bem diversificado e hoje eu sinto falta dessa veia, seja nos pontos comerciais ou nos próprios movimentos populares. As pessoas não são mais as mesmas, já não tem essa vontade de dividir essa parte coletiva. E muitas bandas boas saíram daqui do Guará, de rock, de reggae, de rap, forro, samba, pagode, enfim, mas hoje eles mesmos não fazem parte do cenário do Guará. Isso para gente é muito chateante, porque era fácil fim de semana você passar por uma pracinha qualquer e ver um palco montado e neguinho fazendo um som. Nessa brincadeira aí, papo de meia hora, já tinha passado ali umas 2 mil cabeças juntas e curtindo.

EU: Então, o que você acha que precisa mudar?

ROMIM: É difícil, porque tudo é um investimento né?! Isso é um lado que acaba perecendo muitos movimentos, com a crise que o país estabeleceu aí durante um tempo, existem prioridades realmente grande aí, sua alimentação, transporte, sua saúde, e o lazer ficou aonde? Se antes que diziam que tinha já não era investido, imagina agora então que vai ser mais difícil ainda a gente conseguir palcos bons, uma estrutura minimamente decente para poder colocar uns músicos bacanas. A gente tem que valorizar os músicos, eles não querem tocar porque não querem, é porque não estrutura e nem condições de estar ali fazendo o sonzinho deles, tipo de se promover da forma que deveriam e que merecem ser reconhecidos. E isso para eles realmente é ruim.

EU: E não é falta de banda, não é falta de músico, não é falta de pintor, não é falta de atriz. Não é falta.

ROMIM: O que falta é o incentivo de quem possa fazer, não só o governo, acho que tem várias mentes competentes, pessoas que possam fazer acontecer e não fazem. E isso realmente corta o tesão da galera, eu falo isso como músico, eu vivi de música por um tempo, ainda toco nas noites as vezes, não parei e não quero parar, é uma coisa que eu gosto, é um hobby meu mesmo.

EU: Conta para nós, Izoporzim.

ROMIM: A ideia começou bem im mesmo. Eu trabalhava em shopping até então, e quando isso acabou eu me peguei em uma situação complicada. Estava vindo o meu terceiro filho, e eu pensei e agora, o que eu faço? E aí no mês seguinte veio o Carnaval, peguei um isopor de ombro, coloquei e fui. Eu já sabia que ia dar certo. E a partir daí foi e simplesmente eu não parei mais, fui começando a crescer o negócio, compra uma luz aqui e outra ali, comecei a usar meu carro como suporte, e vi ali uma oportunidade. E essa galera que trabalha na rua é muito punk, é uma galera que vai em família, eu já ouvi muitas histórias legais ali que inclusive são histórias que me incentivam, porque eu trabalho só nesse negócio e muitos deles estão entre amigos e família. Mas a noite ela traz muitos mistérios para gente e tem valido apena.

EU: Como o Izoporzim te mudou até agora?

ROMIM: Olha, com o izoporzim eu tenho uma obrigação profissional de abraçar a comunidade como ela é, não cabe mais a mim segregar pessoas ou ideias, nada e nem ninguém. Porque para mim comercialmente falando, todo mundo é um cliente em potencial, e eu tenho que aprender a lidar com cada um deles o tempo todo, e todos eles são diferentes. Eu tenho ótimos clientes que você nem imagina, de todas as classes, de todos os sexos. O mundo está bem mais aberto, e quem está na noite vê isso de perto. Você tem acesso a todo tipo de pessoa. E como pessoa isso tem me feito crescer muito. A paciência, a consideração, entender o lado de lá, manter o respeito do lado de cá. Muitas vezes você precisa ser imponente para não perder o controle da coisa. Hoje eu tenho uma visão das pessoas, com certeza muito maior. Eu vejo na minha necessidade a necessidade delas. Existe uma sintonia entre quem está comprando e quem está vendendo.  Eu sou muito grato ao que eu escuto, porque independente de quem seja, estamos sempre aprendendo algo.

 

Esse é um pedaço dessa entrevista super gostosa, acompanhem a nossa programação para ouvir a entrevista na integra.

Se tem interesse de localizar o Izoporzim é só pesquisar no Facebook que você encontrará várias informações e comentários relacionados.

 

 

Laura Machado

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